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Prossumidores: riscos e benefícios para as empresas

13 setembro 2021

Já há algum tempo, a produção de conteúdo está descentralizada. Hoje, não são apenas profissionais de comunicação que apuram e geram informação, especialmente nas plataformas digitais. E isso abre portas para a circulação viralizada de todo tipo de conteúdo, seja para o bem ou para o mal.

O fato é que, com todos os recursos proporcionados pelos avanços tecnológicos e o acesso fácil à internet, o cidadão comum deixou de ser apenas consumidor de notícias. E um termo surgiu para definir o perfil desse público: “prossumidor”, aquele que ao mesmo tempo é PROdutor e conSUMIDOR de informação.

Essa mudança de comportamento é sentida em diversos espectros: na nossa vida pessoal, no dia a dia das empresas e na relação com os seus públicos, na política, na economia, na cultura, no esporte e até na forma de trabalhar e na pauta da mídia tradicional. E isso mudou para sempre o cotidiano de todos nós.

Mas vamos ficar no âmbito da comunicação corporativa.

Como lidar com os prossumidores na empresa

É natural que os colaboradores de uma organização passem a registrar suas atividades com a câmera do smartphone, a propagar suas conquistas em redes sociais corporativas ou não, a narrar fatos cotidianos das empresas e até a produzir vídeos sobre este ou aquele novo projeto ou um evento.

Cabe aos que fazem a gestão da comunicação interna, seja uma agência de endomarkting ou uma house, zelar pela reputação da empresa. E trabalhar para que os conteúdos gerados por esses novos prossumidores não violem limites éticos, não coloquem em risco a segurança da companhia, não revelem informações confidenciais ou causem prejuízos à marca. É preciso, enfim, manter a qualidade e a credibilidade do que é transmitido pelos colaboradores.

É tênue a linha que separa o público do privado, o pessoal do corporativo quando falamos das redes sociais. E este é o maior perigo neste novo mundo. Não são raros os casos em que postagens desastradas – por vezes com manifestações de cunho ideológico, racista ou homofóbico, por exemplo – acabem por provocar, além da demissão do autor, prejuízos graves à imagem e aos cofres de organizações.

A partir daí, muitas empresas criaram códigos internos de conduta, estabelecendo limites para a atuação dos colaboradores nessas redes. Determinam o que podem e o que não podem fazer, desde o processo de seleção e integração do RH. É um caminho. Mas será o melhor?

Há outra tendência, uma outra forma de agir na qual a palavra-chave é educação.

Como fazer do prossumidor um aliado

A disseminação de informações positivas sobre as empresas pelos prossumidores internos pode ser altamente positiva, desde que feita de maneira sadia. Isso vai impactar, inclusive, no engajamento e no alcance dos canais de comunicação das organizações. Ao impor regras, quase sempre atreladas a punições, empresas podem até evitar problemas, mas abrem mão de colher benefícios à sua imagem na medida em que desestimulam o envolvimento dos colaboradores com o mundo digital.

Por isso, ao invés de proibir, treinar e disciplinar pode ser um caminho mais recomendado. É para isso que existem – e a Press à Porter também dispõe dessa ferramenta – treinamentos específicos para tornar saudável a atuação desses prossumidores.  Os chamados social media training não impactam apenas a vida corporativa, mas fornecem diretrizes de comportamento capazes de influenciar o cotidiano de cada um também no campo pessoal.  E esse aprendizado desperta nas equipes um sentimento de cumplicidade.

Nas organizações, há, ainda, medidas práticas que podem estimular as boas práticas de comunicação espontânea. É importante manter espaços em canais corporativos sempre abertos para colaboração. Criar manuais que facilitem a circulação da informação – como um guia de como melhor captar imagens de celular, por exemplo.  Envolver gestores é uma boa medida já que isso aproxima o líder de seus colaboradores e cria oportunidades de valorização e reconhecimento da equipe.

Por fim, a dica de ouro é mapear possíveis prossumidores internamente, influenciadores que podem ser embaixadores da comunicação horizontal, descentralizada, e ainda podem potencializar a comunicação corporativa, com ganhos de imagem para a empresa. Todo mundo vai sair ganhando.

Luiz Fernando Gomes

Jornalista, foi repórter e editor no Jornal do Brasil, O Dia, TV Globo, Jornal da Tarde, Lance! e LanceNET! É sócio consultor para novos negócios e gestão de crises na Press.

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