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Cuidado: comunicação explosiva

07 maio 2019

Em momentos de turbulência, quando fake News se espalham pelas redes sociais e as posições sobre tudo estão fortemente radicalizadas, o departamento de comunicação corporativa das empresas – assim como as agências, seus braços terceirizados – tem uma missão ainda mais relevante do que em tempos de calmaria:  proteger aquilo que as companhias têm de mais valioso, a idoneidade de sua marca.

Definitivamente, as organizações precisam colocar em sua pauta temas delicados como o racismo, a homofobia, a xenofobia, a intolerância religiosa e os preconceitos. É obrigatório adotar cuidados excepcionais com a mensagem que se quer passar, com tudo o que faz parte de sua política de comunicação, seja interna ou para o mercado. Um post despretensioso em redes sociais, um anúncio de jornal, revista ou TV ou mesmo uma mensagem aos funcionários de uma fábrica pode ter consequências devastadoras. Que custarão muito tempo e dinheiro para serem superadas.

Mais do que nunca, deve ser considerada uma velha regra que se aplica tanto à comunicação quanto à psicologia: o verdadeiro significado de uma palavra, de uma frase, de um gesto ou de uma mensagem, não está na mente de quem cria, na forma de quem se expressa, na voz de quem fala, mas na interpretação de quem recebe tudo isso.

O politicamente correto, como regra, é um limitador da criatividade. Quanto a isso não resta dúvida. Mas, por vezes, ele é um mal necessário.

Os resultados que uma boa gestão de imagem, cuidadosa e bem elaborada, trazem à uma organização são imensuráveis. Manter a empresa bem posicionada aos olhos dos formadores de opinião (jornalistas, críticos, influenciadores digitais, associações, ou qualquer cidadão que propague pontos de vista) é fundamental nesse processo. Agir com transparência e seriedade, sempre, pode fazer com que esses agentes diferenciados se tornem, nos momentos de uma eventual crise, não aliados cegos de uma causa ou do ponto de vista,  mas capazes de filtrar o que de fato é real do que é fake, o que é responsabilidade da empresa do que é oportunismo barato dos aproveitadores de plantão.

De tão fundamental, no Brasil incendiado de hoje em dia, o departamento de relações públicas das companhias deveria estar instalado na sala ao lado da presidência. Os profissionais da área – ao menos os bons profissionais, com experiência e capacidade de contextualização, requisitos essenciais – devem ser como os olhos que tudo veem, a mente que em tudo pensa e, por vezes, o corpo que tudo rebate. E é preciso rebater com eficiência.

Luiz Fernando Gomes

Jornalista, foi repórter e editor no Jornal do Brasil, O Dia, TV Globo, Jornal da Tarde, Lance! e LanceNET! É sócio consultor para novos negócios e gestão de crises na Press.

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